Odeio ser mãe: precisamos falar sobre isso

Engraçado: muita gente pode me achar um monstro só porque admito que não gosto de ser mãe. Mas eu pelo menos assumo isso. Sabe o que me assusta? Isso aqui:

  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que até nos momentos de folga larga o filho aos cuidados da creche, dos avós, das tias, da vizinha, da babá, do raio que o parta… Menos aos cuidados dela mesma.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que dá um iPad ou celular para a criança de 3 anos (ou larga na frente da TV), assim a pequena fica o tempo todo grudada na telinha e “não dá trabalho”.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que enche o filho de porcarias culinárias, tipo nuggets, porque não quer cozinhar decentemente para ele.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que espanca seu filho.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que larga seu filho na rua, pedindo esmola e cometendo pequenos delitos.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que é incapaz de ter um gesto de carinho para com o próprio filho.

Será que isso é gostar de ser mãe? Será que tantas mulheres assim adoram ser mães?

Pela quantidade de mensagens que tenho recebido aqui, vejo que somos um número muito maior do que imaginamos. É por isso que precisamos falar sobre isso.

A aversão à maternidade precisa deixar de ser um tabu.

Não estamos sós

Este humilde blog existe há pouquíssimo tempo. Nunca divulguei por aí, simplesmente fui publicando meus posts e talvez tenha feito comentários em umas duas ou três matérias sobre a parte ruim da maternidade.

De repente, descobri que recebo mais de 5 mil visitantes por dia – e todo dia chegam mais e mais mensagens de apoio.

Sabe de onde vem a maioria dos visitantes? Do Google. Muitos buscam a expressão “odeio ser mãe”.

É um alívio descobrir que não estou só, que não estamos sós. Acho que o maior problema para uma mãe que odeia ser mãe é nunca poder se abrir sobre seu arrependimento. Criou-se essa figura sacra da mãe: mãe não sofre, mãe não se arrepende, mãe ama seus filhos incondicionalmente, apesar de tudo.

Por que não podemos nos arrepender, hein?! Deixa eu dizer uma coisa muito importante: só tem um jeito de saber como é ter filhos. Tendo. Nenhuma propaganda, nenhum conselho, nenhum textão de internet vai substituir a experiência que é parir e criar uma pessoa. E, sim, eu sou humana, eu tenho sentimentos, erro e acerto como todo mundo. E assim como todo mundo, eu também me arrependo. Do mesmo jeito que você tomou um monte de decisões erradas na vida, eu também tomei. Se eu poderia me arrepender de outras coisas, por que não posso me arrepender de ter sido mãe? Porque só esse arrependimento é tão condenado, tão massacrado, tão odiado?

Mas hoje eu sei que não estou só. Na verdade, sei que não há apenas meia dúzia como eu aí: há milhares. E isso é meu alento, meu consolo e hoje, mais do que nunca, fico feliz por ter tomado a decisão de criar este blog. Sei que aqui, salvo por uns gatos pingados que deveriam estar visitando o site da Revista Crescer, a maioria das pessoas vem para segurar minha mão, me dar apoio, me permitir ter um arrependimento, acabar com essa figura da mãe sagrada que aguenta tudo, que sofre tudo.

A vocês, meu muito obrigada, de coração.

“Nunca quis ter um filho”, dizem mais e mais brasileiras

O número de mulheres que não tem filho aumentou em 6% nos últimos 10 anos no país. Quanto maior o grau de educação, menor a chance de a mulher querer engravidar

Há muitos séculos predomina nas sociedades a ideia de que cabe à mulher a responsabilidade de continuar a linhagem de seus parceiros, já que é a sua biologia que permite a gestação. Ao longo da Idade Média, do Renascimento e da Modernidade – embora tenhamos relatos desse comportamento ainda na Contemporaneidade –, foi considerado uma desgraça se casar com uma mulher que não pudesse ou não quisesse ter filhos. Em algumas sociedades, ainda hoje, a partir da primeira menstruação, uma menina já pode ser separada de sua família e ser casada com um homem muito mais velho.

Estatísticas mostram, porém, que, no Brasil, a obrigação de ser mãe tem caído por terra de maneira constante durante os últimos 10 anos.

Leia o restante do texto aqui.