Não estamos sós

Este humilde blog existe há pouquíssimo tempo. Nunca divulguei por aí, simplesmente fui publicando meus posts e talvez tenha feito comentários em umas duas ou três matérias sobre a parte ruim da maternidade.

De repente, descobri que recebo mais de 5 mil visitantes por dia – e todo dia chegam mais e mais mensagens de apoio.

Sabe de onde vem a maioria dos visitantes? Do Google. Muitos buscam a expressão “odeio ser mãe”.

É um alívio descobrir que não estou só, que não estamos sós. Acho que o maior problema para uma mãe que odeia ser mãe é nunca poder se abrir sobre seu arrependimento. Criou-se essa figura sacra da mãe: mãe não sofre, mãe não se arrepende, mãe ama seus filhos incondicionalmente, apesar de tudo.

Por que não podemos nos arrepender, hein?! Deixa eu dizer uma coisa muito importante: só tem um jeito de saber como é ter filhos. Tendo. Nenhuma propaganda, nenhum conselho, nenhum textão de internet vai substituir a experiência que é parir e criar uma pessoa. E, sim, eu sou humana, eu tenho sentimentos, erro e acerto como todo mundo. E assim como todo mundo, eu também me arrependo. Do mesmo jeito que você tomou um monte de decisões erradas na vida, eu também tomei. Se eu poderia me arrepender de outras coisas, por que não posso me arrepender de ter sido mãe? Porque só esse arrependimento é tão condenado, tão massacrado, tão odiado?

Mas hoje eu sei que não estou só. Na verdade, sei que não há apenas meia dúzia como eu aí: há milhares. E isso é meu alento, meu consolo e hoje, mais do que nunca, fico feliz por ter tomado a decisão de criar este blog. Sei que aqui, salvo por uns gatos pingados que deveriam estar visitando o site da Revista Crescer, a maioria das pessoas vem para segurar minha mão, me dar apoio, me permitir ter um arrependimento, acabar com essa figura da mãe sagrada que aguenta tudo, que sofre tudo.

A vocês, meu muito obrigada, de coração.

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22 comentários sobre “Não estamos sós

  1. Gabrielle disse:

    Que bacana achar esse blog… sou childfree e olha… está difícil bancar a pressão de todos tendo filho, sogros, marido em dúvida vendo os amigos com filho… boa sorte na sua tarefa de ser mãe e obrigada pela coragem!

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  2. Merilin Gomes disse:

    Uma coisa é certa, quando percebi que não gosto de ser mãe, me assustei e muito, mesmo porque somos ceuadsd para a procriação (isso é bárbaro, Mas real ) mãe tias e avós nos criam para constituirmos uma família e tradicional figuras pai mãe e filhos, depois que tu e minha segunda filha percebi que não gostava de ser mãe, tenho dificuldades em ser mãe, não gosto de abraço, a muito falar gosto de ficar quieta no meu canto….e filhos não nos permitem isso….como já tinha dois não queria mais nenhum, eis que o remédio falha a bem bem terceira gravidez 8 anos depois da segunda pensei em não continuar, mas tive meu terceiro filho…Hj com seis anos e hj afirmo e me culpo muito por isso não deveria ter tido filhos eu não gosto ser mãe….difícil pensar assim….Mas essa é a realidade

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    • Cinthya disse:

      Parabéns pela coragem de todas vocês!! Infelizmente isso ainda é um tabu. Sou casada, mas ainda não sou mão e nunca serei. Sofro preconceito todos os dias por nunca ter tido o desejo de ser mãe e pela decisão de não querer ter filhos. Já me indicaram até terapia…meu Deus!!!

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  3. Rejane disse:

    Também odeio ser mãe. E como disse a Merilin, nossos filhos não nos permitem ficarmos sós, quietas no nosso canto. É preciso estar sempre disponível, ser sempre sensata, ser sempre responsável, precisamos sempre dar o bom exemplo. Isso é simplesmente exaustivo! Nunca quis ter filhos, e só tenho pq o remédio falhou. Cai nos 2% de ineficácia! O pior é ver amigas que há anos tentam engravidar e não conseguem, fazem tratamentos caros e nada.

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  4. Tamiris Guilherme disse:

    Não as julgo, mas pra mim é incompreensível.
    Tenho 20 anos, perdi meu pai com 6, minha mãe há um ano. E ela me deixou um irmão maravilhoso. Eu e o pai dele dividimos a educação dele e a guarda. Fico com ele finais de semana, pois trabalho e faço faculdade de Direito, sou privada sim de ter uma vida normal de uma jovem de 20 anos. Namoro a quase 2 anos e pra o meu namorado sempre foi difícil difícil ser privado de certas coisas, até que a 4 meses ele perdeu o pai. Hoje me compreende e me ajuda. E meu irmão sempre foi mais que um irmão, hoje, ele me chama de mãe e só não larguei a minha vida pra viver a dele, pois eu me formando darei a ele uma vida melhor.
    Como disse não estou as julgando, mas acho que vocês deveriam procurar ajuda e se tratarem, por não pensarem antes. Ah, o remédio falhou. Tomo anticoncepcional e uso a camisinha, não estou preparada pra uma responsabilidade dessas, por isso me previno melhor. E isso é uma dica para as mulheres que não nasceram com a natureza de ser mãe.
    Sou mãe aos 20 anos e isso não e é problema nenhum para mim.
    Boa sorte para vocês.

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    • Sinto pela sua história, mas desculpe, irmão não é o mesmo que filho. Não há como comparar a gestação com uma criança que chegou a você com uma série de fases já vencidas. E o tipo de relação é diferente, por mais que você considere que seja a mesma coisa.
      De qualquer forma, boa sorte aí na criação do seu irmão.

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    • Nathy disse:

      Acho que as mulheres dizem odiar ser mãe é do real trabalho que filho dá:levantar de madrugada, passar o dia tentando fazer o bebê dormir pq ele está com sono mas não dorme, tomar banho de 3 minutos, comer em 5 minutos, precisar caminhar o dia inteiro para cima e para baixo pq seu filho fica entendiado..isso minha querida, é ser mãe. E esta rotina não é só aos finais de semana, é 24 horas todos os dias.

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    • Ju disse:

      Tamires, acho louvável que crie o seu irmão assim tão nova. É claro que você abre mão de muita coisa, sim, para cuidar dele, aos finais de semana. A maioria das pessoas da sua idade estão curtido a vida e você assumiu uma grande responsabilidade.
      Porém, isto não chega nem perto de ser mãe, na minha opinião. O peso da maternidade é bem diferente. Aposto que você consegue tomar banhos de 15 minutos todos os dias, está estudando e tem namorado. Isto é quase impossível para maioria das mães. E aposto que a grande maioria das mulheres que estão aqui nem lembram mais o que é isto…
      Não é uma questão de querer. Sou mãe e planejei isto. Não foi um descuido. Também ajudei a criar irmãos e primos e ser mãe é bem diferente. E ninguém nos conta sobre isto.
      Precisamos de ajuda. Acho que sim. Mas não somos loucas. Apenas acredito que cansamos de ficar caladas, de aguentar o que, na minha opinião, é desumano. Precisamos mudar esta situação!

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  5. Patricia Torres disse:

    Um alívio descobrir que não sou um et e que a tarefa de ser mãe não desagrada apenas a mim. Sinto me esgotada e sinto uma saudade enorme da vida que tinha antes, daquelas saudades q você sabe não vai passar nunca pois a maternidade é um caminho sem volta. Dou o melhor de mim e não me considero uma mãe ruim. Pelo contrário, procuro sempre fazer o melhor por ela pois a amo, mas isso não me deixa feliz. Amo estar com ela mas as tarefas que envolvem a maternidade simplesmente são insuportáveis pra mim. Compreendi às duras penas, que nem todo os caminhos são para todos os caminhantes!

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    • São as pessoas que buscam secretamente “odeio ser mãe” (porque é assim que se sentem na verdade); só depois bate uma culpinha e pagam de revoltadas. Hahahahaha Quem gosta de ser mãe mesmo tá lá no site da revista Crescer. Se caiu aqui, não foi por acaso. 😉

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  6. Patrícia disse:

    Concordo em partes. Estou exausta e odeio ESTE MOMENTO da maternidade em que preciso fazer tudo, 24 horas por dia. Mas não odeio SER mãe, de jeito nenhum! E acho que seria muito menos difícil se nossos companheiros/as participassem ativamente. Apenas tenho receio do seguinte…eu não gostaria que meu filho lesse em um blog que fiquei arrependida de tê-lo!

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  7. Rúbia disse:

    A minha mãe me disse recentemente que se arrepende de ter engravidado de mim. E não. Ela não é uma mãe ruim. Sempre fez o melhor que pôde por mim e por minha irmã, mas entendo que eu também não era planejada, desejada ou esperada. Independente desde muito cedo, num tempo em que as mulheres mal dirigiam, engravidou solteira e meu pai teve a decência em não só em nos assumir como ser o melhor pai que eu poderia ter.
    Ela não disse isso brigando, não foi em um momento de discussão ou que estávamos brigando por algum motivo, apesar disso ter ocorrido muito em nossas vidas. Temos temperamentos muito próximos e ideias um tanto diferentes. Acredito que receita certa para um embate se esse temperamento tiver teimosia e cólera como é o nosso caso. Aprendemos a conviver com isso e repito: Minha mãe é uma excelente mãe, uma excelente mulher e eu consigo ver onde ela falha, assim como eu sou e não a julgo pelo ressentimento ou arrependimento que ela tenha, assim como não julgo nenhuma das mulheres que não querem ter filhos.
    Por que? Porque eu acho que nenhum filho deveria passar pelo que um filho de uma mãe arrependida passa. A sociedade não romantiza só a maternidade para as mães, romantiza para o filho, que cresce ouvindo que é amado incondicionalmente desde pequeno e que a mãe sempre estará ali para ele de coração, braços e tempo abertos. Não é verdade quando se é filho de uma mãe arrependida. A minha mãe raramente me faltou em qualquer situação. Na verdade tentou me compensar com conforto como pôde, mas nem sempre era o que eu precisava ou, pela idealização, esperava. O filho de uma mãe arrependida sabe desde criança que a mãe se arrependeu, ainda que não entenda o que é arrependimento. Eu sempre cresci com isso e, quando criança, criava fases… A fase de que era adotada, a fase de que minha irmã era mais querida do que eu, a fase de que se eu fosse 100% obediente seria amada _o que me ocasionou um grave distúrbio de ansiedade e muita culpa. Eu sabia, antes mesmo de ter consciência disso, que a minha mãe vivia uma vida que ela não queria viver, que ela não planejou e por isso eu tentei ser o mais leve que eu podia para ela. Comecei a trabalhar aos 14, me tornei independente financeiramente aos 16, parei de aceitar qualquer dinheiro aos 20. Não por orgulho, mas por culpa. Procurei ser a melhor amiga da minha mãe e vê-la como uma pessoa como ela o é. Com virtudes e defeitos e passível a falhas e com direito à arrependimentos. Mesmo que assim não o fosse, não haveria nada que eu pudesse fazer para mudar essa situação para ela e para mim.
    Mas como filha, preciso vir aqui dizer que olhem para seus filhos e procurem ajuda por vocês. Não para mudar a sua cabeça e te fazer amar ser mãe, mas para que aprendam a lidar com a culpa, a não se culparem, a não se reduzirem porque são pessoas antes de serem mães, mas também para ajudar seu filho a compreender isso e a lidar bem com isso. Eu amo a minha mãe e sei que ela também me ama, mas as consequências de uma vida cercada por culpa, para nós duas, só nos feriram e deixaram buracos quase impreenchíveis. Ela por não ter vivido a vida dela e eu por ter tirado isso dela, ainda que eu se quer pudesse ter escolhido isso por nós duas.
    Eu não venho para sobrecarregá-las com mais culpas, mas para alertá-las sobre a necessidade de pedirmos ajuda para que essa não venha ser uma marca dolorosa e permanente em nossas vidas. Procurem ajuda. A gente não precisa viver eternamente na dor e na frustração do ontem e do hoje.
    Força e paz para vocês.

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  8. Mãe disse:

    Olá meninas
    Digitei essa frase exatamente por desespero, mas na realidade não achei que fosse encontrar um grupo, enfim, isso foi bom p mim. Ja li todos os comentários.
    Tenho uma filha de dois meses, engravidei tomando anticoncepcional,estou no 5 período do meu curso na facul,e estava procurando emprego quando aconteceu, foi muito desesperadador eu chorei dias quando descobri mas eu coloquei na cabeça q iria continuar minha vida com ou sem criança e assim segui a gestação toda na faculdade tanto que o dia em que ela nasceu eu ainda fui a facul fazer uma prova pela manhã, mas até então durante a gestação eu ageuntei bem até comecei a achar q iria ficar tudo bem de tanto as pessoas ficarem dizendo q depois q o bebê nasce uma força maior de amor e alegria recaí sobre vc.#sqn
    Quando ela nasceu foi assustador eu fiquei muito assustada mesmo,olhei. P ela e chorei mas não foi de amor , não sei explicar oq senti. Quando fui amamentar pela primeira vez eu sofri tanto q eu nem conseguia olhar p ela, quando levantei da cama pela primeira vez eu tive vários desmaios e as enfermeiras preferiram tirar a bebê do quarto e eu confesso q me senti muito aliviada estava desesperada com aquele bebê ali do meu lado, oq eu faria se ela chorasse foi oq pensei nunca tive coragem de contar isso p ninguém por medo de ser muito julgada.
    Hoje eu acordo a noite toda e as 6hs preciso ir p faculdade e levo ela junto, é muito difícil o mim pq nunca gostei de carregar nem bolsa p gosto de star livre e agora é tanta coisa cadeirinha, bolsa caderno, a neném e tudo mais.
    Eu sempre fui muito vaidosa nunca tive estrias e peso sempre ideal, hoje meu cabelo está um nojo e sempre preso, minhas cutículas estão na metade da unha, minha barriga mole, estrias cobriram minha bunda e seios estou sempre desarrumada e com suor excessivo meu Deus eu não sei quantas coisas mais tenho p citar enfim nunca digo isso p ninguém mas no fundo do coração eu acabei q esse sentimento fosse apenas momentâneo e que iria passar quando eu começasse a me acostumar mas quando encontrei o grupo percebi q sinto as mesmas coisas.
    Eu amo minha filha olho p ela é vejo o quanto ela precisa de mim e acho q é isso q nos faz sofrer mais pq não tem como largar tudo o bebê e tal pq a gente ama eles mas sofre pq ao mesmo tempo queria viver a vida de antes, estudar tranquilamente sem ter interromper o trabalho toda hora e comer e se arrumar e tudo como antes mas sempre fui aluna exemplar e hj minhas notas são horríveis talvez até posso perder o semestre pq deixei de entregar vários trabalhos por não conseguir fazer pois eu sou sozinha não tenho parentes nem amigos por perto apenas mu marido q trabalha o dia todo e estuda a noite.
    Eu sinto até uma tristeza em estar sendo tão sincera nesse texto pq dói dizer isso sobre algo q achei q era tão lindo, estou com minha bebê no colo e choro por ver que eu a amo e quanto ela precisa de mim me sinto horrível por tudo isso.
    Decupem o desabafo mas eu precisava !

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  9. Ju disse:

    Olhe, não posso dizer que odeio ser mãe. Há momento em que me realizo e que são muito bons, mas são momentos. A maior parte do tempo me sinto estressada e sobrecarregada e inúmeras vezes já imaginei como minha vida seria muito mais tranquila e melhor sem meus filhos (quem nunca?). Amo os meus filhos. Acho que todas, ou quase todas nós, amamos. Mas não gosto nada de limpar coco mais de 20 vezes por dia (e não é exagero, para quem tem 2 bebês). Eu deveria gostar?!? Alguém em sã consciência gosta disso? Ninguém nos disse como seria viver a maternidade real e acho que todas nós deveríamos falar sobre isto com as mulheres que não tem filhos. É claro que não dá para saber tudo sem passar pela situação, mas dá para esperar muito menos…
    Posso estar errada, mas eu tenho a impressão de que a maternidade não precisa ser assim tão difícil também. Muitas vezes eu meu questiono se é necessário que ela seja tão pesada. Será que se nos permitíssemos fazer menos, não seria mais fácil? Sinceramente, acho que sofremos um massacre social. TEMOS que parir, TEMOS que amamentar, TEMOS que ficar tempo integral com o filho, TEMOS que dar a comida mais natural feita da horta não sei das quantas, TEMOS, TEMOS, TEMOS…. Será que temos mesmo? Fora os empregos, amizades e lazeres que nos são negados… Não dá para ser uma pessoa comum? Somos (mulheres) maioria na sociedade. Vamos nos dar a mãos e nos permitir sermos humanas? Não super mulheres ou super mães. Se a vizinha dá papinha artificial para o filho, deixa ela. Talvez ela não tenha tempo mesmo para preparar algo mais natural ou prefira investir o tempo dela em outra coisa, que ela entende mais importante. Por que todo mundo tem que ficar apontando o dedo? Eu escolhi parto natural e amamentação. Mas dou pizza para os meus filhos toda semana. Sério, uma vez por semana me dou o direito de não ir para cozinha. Meus filhos não vão ter nenhuma doença por conta disso. Dúvido! Temos que falar disso, de cada um fazer o que pode e levar a vida de forma mais leve. Quem sabe a gente possa gostar um pouco mais da maternidade se ela for menos pesada. Parabéns pelo site. Sim, temos que falar disso!

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