Odeio ser mãe: precisamos falar sobre isso

Engraçado: muita gente pode me achar um monstro só porque admito que não gosto de ser mãe. Mas eu pelo menos assumo isso. Sabe o que me assusta? Isso aqui:

  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que até nos momentos de folga larga o filho aos cuidados da creche, dos avós, das tias, da vizinha, da babá, do raio que o parta… Menos aos cuidados dela mesma.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que dá um iPad ou celular para a criança de 3 anos (ou larga na frente da TV), assim a pequena fica o tempo todo grudada na telinha e “não dá trabalho”.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que enche o filho de porcarias culinárias, tipo nuggets, porque não quer cozinhar decentemente para ele.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que espanca seu filho.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que larga seu filho na rua, pedindo esmola e cometendo pequenos delitos.
  • A mãe que diz adorar ser mãe, mas que é incapaz de ter um gesto de carinho para com o próprio filho.

Será que isso é gostar de ser mãe? Será que tantas mulheres assim adoram ser mães?

Pela quantidade de mensagens que tenho recebido aqui, vejo que somos um número muito maior do que imaginamos. É por isso que precisamos falar sobre isso.

A aversão à maternidade precisa deixar de ser um tabu.

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12 comentários sobre “Odeio ser mãe: precisamos falar sobre isso

  1. flávia j disse:

    Tenho 24 anos, não sou mãe e provavelmente nunca serei, mas posso imaginar como deve ser difícil.
    Parabéns pela sua sinceridade.
    Não sei se vc concordará comigo, mas ao meu ver, vivemos hoje numa “ditadura da felicidade”. Você se sente forçada o tempo inteiro a botar uma mascara, um verniz social de “pessoa feliz” nas redes sociais,e fingir para os familiares os vizinhos que está sempre tudo bem…enquanto por dentro voce está sofrendo. Temos medo de mostrar o que se passa no nosso intimo, pois as pessoas julgam muito, te olham torto quando vc mostra abertamente que está infeliz, irritada, incomodada. A pior coisa que existe é ter que fingir que é feliz e “zen”. A sociedade detesta a sinceridade e ter que encarar seus problemas de frente, sem máscaras.
    Precisamos aos poucos irmos mudando esse cenário. Falar a verdade que dói, mas que precisa ser dita, nem que isso vá doer o cu dos falsos moralistas.
    Abraços

    Curtido por 1 pessoa

    • A grande dureza é exatamente essa, Flavia: não poder abordar o assunto abertamente. Eu criei esse blog exatamente por isso. Minha família não faz ideia de como me sinto em relação à maternidade. O máximo que já pude fazer foi algum comentário em rodinha de amigas (todas mães) tipo “Ah, tem hora que meu cansaço é maior do que tudo e que nem sempre o sorriso do filho ‘compensa tudo'” e só serviu para me olharem torto.
      O curioso é que tenho amigas e irmãs que são mães e sinto que elas perderam o brilho, que estão constantemente tomadas pelo esgotamento físico e mental. Às vezes sei que uma delas está morrendo por dentro, mas que faz de tudo para não demonstrar, para ser essa figura sagrada da “mãe forte, decidida, que aguenta tudo” só para não decepcionar a sociedade. É triste e não me espanta que algumas mulheres entrem em total colapso.
      Um beijo.

      Curtido por 3 pessoas

  2. Leandra disse:

    Fico aliviada em saber que tudo que eu penso sobre filhos, é confirmado por quem é mãe. Nao aguento mais ser julgada e condenada pelo fato de não querer ter filho. Vejo nas atitudes, muitas mães esgotadas, arrependidas, mas lá, fingindo que tudo é mágico e só alegrias, e ainda insistindo comigo que tenho que ter filho! adorei esse blog.

    Curtido por 2 pessoas

    • Eu sempre digo o seguinte, Leandra: para ter filhos, você tem que ter muita certeza MESMO que quer. Porque é uma viagem sem volta. A vida muda e em geral os fardos são muito maiores do que as alegrias. Todas as mães que conversam comigo sempre falam a mesma coisa: aquele papo de que o sorriso ou o “eu te amo” do filho compensa qualquer coisa é a maior mentira que já inventaram. Não compensa. As mães só dizem isso para tentar aliviar um pouco todo o pesar que sentem por ver que não podem simplesmente voltar no tempo e esquecer que tiveram um filho. Ao mesmo tempo, somos incitadas a sentir culpa por nos arrependermos de nossas atitudes. Se você não tem certeza sobre ser mãe, não seja mesmo. Vai ser um erro que jamais pode ser apagado. Um beijo!

      Curtido por 2 pessoas

    • Naty disse:

      Conscordo com vc, a teoria da piscina gelada, eu cai nela, amor incondicional, um lindo bebê, muitas alegrias e blá blá blá de mentiras.
      Ser mãe é uma bosta, bosta literalmente, um mar de merda, vômitos e todos fluídos que um ser humano é capaz de gerar kkk, não é fácil, tenho dois anos nessa nova vida e posso dizer que momentos bons são poucos, mas acho lindo quem enxergam a maternidade diferente, queria ser assim.
      Mas não aconteceu, sou realista e não vejo motivos pra parar sua vida para criar outro ser, mas vamos lá sou aquela mãe que brinca, cozinha milhões de comidas diferentes pensando sempre nos nutrientes que ele tem que ingerir, que é elogiada pela família e que não trabalha mais porque resolvi ficar (E me arrependo), então, posso dizer nada de conto de fadas, minha vida desabou, criança alérgica e que vivia doente, vida social arruinada, privada de sono por oito meses, pressão de parentes e eu infeliz.
      Espero que mais ninguém se sinta como eu, pois, meu filho nunca saberá, eu sempre direi que o amo incondicionalmente.

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  3. odeiosermaeblogtati disse:

    Emei esse blog. Sempre via olhares tortos e cochichos quando falava q nunca mais queria outro filho, q tinha traumatizado depois da primeira. É a verdade. Achei q fosse pirar d tanto cansaço. E eis q 9 anos após… me vejo grávida d novo. O BB tem um mês. E m vejo desnorteada novamente. Não durmo, cochilo. Não como, engulo. Fazer xixi? Uma vez por dia! Número 2? Uma vez por semana quando o BB ta calmo. Sinceramente tem dias q acho q não vou aguentar. Da impressão q vou desmaiar ou morrer. Choro atrás de choro… daí acabo chorando junto. Aí qdo acaba… ta na hora d começar tudo d novo. Realmente não amo ser mãe. Amo meu filho. Mas a situação não.

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  4. Maria disse:

    Nossa, conheço muitas que dão iPad e celular e que não cozinham, só dão porcaria. Que largam com baba ou avós ou enfiam em escolas. Entendo ser exaustivo mas então não venham me dizer que sorrisinho compensa, não cola. Respeito mais quem não quer ter, então, porque ter pra só curtir os momentos bons de passeio e brincadeira até eu, agora educar e cozinhar, cuidar pra valere ter paciência é que sao elas. Por isso admiro você e seu blog e todas que comentam por aqui, pois isso dá força não so pra qm está nessa situação mas também pra qm não quer ter e está prestes a se curvar sob o peso das cobranças alheias; ou a teoria da piscina gelada.

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  5. Bianca disse:

    Pesquisei “odeio ser mãe” no Google as 2 da madrugada após munha filha de 2 anos e meio me acordar pela enésima vez na noite. Nunca dormiu uma noite inteira sequer. Achei conforto aqui nesses relatos, por isso a gente não pode dizer pra qualquer um. Eu amo minha filha. Mato e morro por ela, mas odeio a maternidade. Acho um saco!!!! Hoje mandei mais cedo pra creche com o pai. Falei “leva senão eu mato”. Não aguento mais o chororo. Tô no limite. E tem mais merda. Me descuidei e tô grávida de novo. Nasce em 10 dias. Odeio estar grávida e não sei se sobreviverei à segunda. Sempre falei que queria ter filhos. Acho que era iludida pela convenção social. Ser mãe é uma merda. Só queria agora tomar um porre pra esquecer, mas nem isso posso. Saco de vida!

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  6. Laura disse:

    Estou realmente desejando a morte dps de ser mãe. É claro que amo minha filha, sou incapaz de fazer mal a ela, mas odeio tudo o que preciso fazer por ela. É paradoxal porque embutiram nas mentes que amor de mãe só doa; eu queria um pouco de paz às vezes. Um silenciozinho, só 5 minutinhos, mas nunca mais tive nem terei. Perco o controle, grito, bato e dps me sinto o pior monstro do universo. Talvez eu seja mesmo. Tanta mulher depressiva porque não consegue ser mãe e eu desejando a morte pra fugir de mim e minhas péssimas escolhas que me fizeram uma merda de mãe solteira.

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